segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A obra completa/aberta de Rafael Sica




Desde que os artistas entenderam a importância do diálogo obra de arte/observador, os movimentos artísticos sucedem-se na história tentando alcançar um clímax, clímax que denomino de “a obra completa,”, ou seja, quando o observador para em frente à obra e sente, pensa, ignora, ou ‘completa’, só nesse momento é que a obra se conclui. Essa idéia permeou vários movimentos da história da arte e é intrínseca da arte contemporânea. A obra completa quase acontece com Kazimir Malevich e seu suprematismo, (branco sobre branco), com Joseph Beyus e suas esculturas e performances, baseadas na queda que teve na adolescência 
pilotando um “escuda da juventude nazista” na 2º guerra. Salvo das ferragens por nômades Mongóis das estepes russas, cuidado com graxa de cabra e curado,voltou só no fim da guerra, foi preso, largou a farda, ideologia e se transformou em grande artista /humanista. Ou  Marcel Duchamp com seus ready mades. Hoje é buscada incessantemente nas happness, na arte conceitual e nas instalações contemporâneas. Sem as parafernálias tecnológicas, usando a linguagem gráfica, mais especificamente o cartum, Rafael Sica chega lá. Com tiras de humor mudo e instigante, o artista consegue passar uma mensagem explícita e ao mesmo tempo dúbia, ocasionando um leque de interpretações a quem as observa, fato comprovado pela simples leitura dos comentários deixados em seu blog. Interpretações que na maioria diferem da intenção original do autor, mas nem por isso deixam de fazer nexo à obra. Sendo assim o artista Rafael Sica consegue o que há muito vem se tentando, o acabamento da obra através do pensamento do observador, ou seja, Rafael Sica atingiu a "obra aberta/completa".

Eduardo Simch
1997

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